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Categoria: dilemas

Fim de uma vida normal
  • 3 min

Fim de uma vida normal

“Nunca mais vou ter uma vida normal”

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Um dilema que me passou muito pela mente foi pensar que a minha vida nunca mais seria normal depois de assumir um problema destes.

“Nunca mais vou ter uma vida normal”

E se as pessoas se afastarem de mim? E se as portas se fecharem? Será que vou perder oportunidades? Profissionalmente? Socialmente?

Antes de falar pela primeira vez com alguém a pedir ajuda, hesitei bastante tempo, com estes medos. Tinha medo que esse pedido de ajuda me cortasse com tudo o que eu achava que tinha de “normal” na minha vida. Era certo que as coisas iam mudar, mas não sabia que impacto ía ter.

Posso dizer que, neste momento, já mais de um ano depois de me tratar, considero ter uma vida normal. Tenho mais momentos em que me sinto bem e confiante por ter tomado este caminho do que os momentos em que eventualmente me sinta inferior por estar “marcada” com a minha adição.

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Descrença na mudança
  • 4 min

Descrença na mudança

“Estou rodeada de tanta coisa que me leva para os maus caminhos, como vou mudar uma coisa que parece estar já tão enraizado?”

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Antes de começarmos a nossa mudança, (ou mesmo já a meio deste processo), podemos passar por uma fase de descrença. Cremos que a mudança é necessária para ficarmos bem mas que no nosso caso vai ser muito difícil, senão impossível.

“Estou rodeada de tanta coisa que me leva para os maus caminhos, como vou mudar uma coisa que parece estar já tão enraizado?”

Estes pensamentos podem ser um impeditivo para conseguirmos avançar. De facto, a mudança que sentimos que é necessária é grande e isso pode-se tornar avassalador, ao pensar em tudo o que precisamos de mudar.

O ideal é fazermos um STOP nestes pensamentos que nos empurram para continuar como estamos. A mudança pode ser dura, sim. Mas se for feita com “baby steps”, é possível. Vi vários casos na Cleanic que me fazem dizer isto com fundamento.

Eu própria pensei que haveria coisas muito difíceis de mudar nas minhas rotinas, contexto social, estilo de vida.

Não digo que não sejam preocupações válidas, porque são. Mas termos o foco em objetivos concretos e exequíveis faz com que o processo se torne menos assoberbado.

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Medo da desilusão
  • 5 min

Medo da desilusão

“Não quero desiludir quem me rodeia e me considera uma pessoa forte e feliz”

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O meu grande pavor durante bastante tempo foi pensar na desilusão que eu iria causar se os meus pais alguma vez sonhassem sequer que eu estava a enterrar-me na cocaína! Era um grande ponto fraco meu, que me motivou tentar muitas coisas antes de considerar um internamento (mais detalhes neste artigo). Tinha até medo do que poderia provocar se os meus pais soubessem algum dia, por isso, o meu objetivo principal inicialmente, mais do que me pôr bem, era mesmo esconder aos meus pais que andava num ciclo vicioso, a consumir cocaína, no meio de uma depressão que tentava camuflar e envolvida numa relação totalmente destrutiva e doentia.

“Não quero desiludir quem me rodeia e me considera uma pessoa forte e feliz”

Mas, na realidade, esconder que não estava bem é que era fraqueza da minha parte. A verdade é que os meus pais de facto não faziam ideia da minha envolvência com drogas. Mas também não achavam que eu estivesse bem. Chegaram a pensar que poderia ser bipolar, por notar algumas variações de humor que correspondiam a diferentes fases dos meus consumos.

De qualquer forma, aprendi uma série de coisas ao sentir-me assim e isso me impedir de tomar uma decisão mais assertiva e certeira.

A primeira, é que nunca saberemos que reações vamos provocar, por mais que tentemos antecipar. É claro que os meus pais ficaram tristes e precisaram de processar toda a informação quando souberam. No entanto, falou mais alto o sentido de suporte e apoio para eu me tratar e ficar bem.

A segunda coisa que aprendi foi que toda esta luta foi minha iniciativa mas não a teria conseguido superar sem ajuda dos que me rodeiam. Família, amigos e mesmo pessoas que vim a conhecer ao longo deste caminho.

A terceira coisa que aprendi foi que este medo de desiludir estava intimamente relacionado com a minha incapacidade de me perdoar, a minha falta de empatia até comigo própria.

Todas estas aprendizagens aconteceram sobretudo durante o programa que fiz na Cleanic, onde tive oportunidade de ganhar uma consciência de mim própria que nunca tinha tido.

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Rótulos
  • 3 min

Rótulos

“Serei rotulada de ex toxicodependente?”

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O medo de ser julgada por tudo isto para o resto da minha vida assombrava-me.

“Serei rotulada de ex toxicodependente?”

Infelizmente, ainda existe alguma discriminação neste sentido, mas não tanta como imaginava. A verdade é que muito dessa discriminação pode partir precisamente de nós próprios esperarmos isso dos outros e pôrmo-nos de parte.

Por isso, não depende só disso, mas pode partir um bocadinho de nós próprios como queremos que nos definam.

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