
Testemunho de uma mãe
Deixo-vos aqui um novo testemunho de uma mãe. Da minha mãe, que me acompanhou durante todo o meu processo. Uma partilha de alguém que teve também o seu próprio percurso.

A vida tem momentos cheios de espinhos e amarguras. Mas em cada pessoa há sempre um recanto no coração que luta pela felicidade.
A droga consumiu-a lentamente e como um parasita foi-lhe sorvendo a vida. Nunca me apercebi disso e olhando para trás sinto alguma frustração porque se calhar podia ter impedido (ou pelo menos tentado) que a situação se agravasse tanto. Mas sei que a droga permite, mesmo às pessoas mais verdadeiras e sensíveis, que a mentira e a dissimulação se instalem. E mesmo entre pessoas tão próximas como uma mãe e uma filha é possível esconder estados tão graves de dependência.

Sofri quando me relatou o que estava a acontecer. Sofri porque vi então o seu sofrimento. Precisei de uns dias para interiorizar todo o o drama por que estava a passar e convencer-me que era real.
Mas a decisão que tomou de pedir ajuda e querer resolver o seu problema deu-me a alegria e a coragem de me pôr ao lado dela e acompanhá-la o mais possível, apoiando-a.

A sua decisão orgulhou-me profundamente. O caminho não iria ser fácil nem tão pouco rápido. Admiro-lhe a coragem, o discernimento e a força de vontade.
Durante longos meses vimo-nos afastadas (com excepção de algumas visitas, sempre fugazes) mas mantendo-nos sempre unidas porque eu conhecia a sua resiliência e ela sabia que podia contar com o meu apoio incondicional.
Este período de tratamento foi duro, muito duro. Sobretudo, claro está, para ela. Acho que o sentir-se apoiada pela família e alguns amigos foi também essencial.

Foram meses de privações, alguns revezes, momentos difíceis. Mas a força e a vontade de reencontrar a sua alegria de viver, o seu equilíbrio e a sua independência superaram as dificuldades.
As ferramentas que adquiriu durante o tratamento são cruciais para poder continuar a sua vida livre de drogas ou qualquer outra coisa que prejudique o seu caminho.
E como disse no início, por muitos espinhos e amarguras que se interponham ao longo da vida há sempre um recanto no coração que luta pela felicidade.

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